Chega no IAD a Cápsula Endoscópica - é vista como uma revolução na avaliação do intestino delgado

No formato de um comprimido, o exame é realizado de forma tranquila.

A cápsula endoscópica é um sistema de câmera com transmissão de imagem sem fio que possui o formato de uma cápsula, própria para ser ingerida com facilidade e naturalmente eliminada nas fezes (a cápsula é descartável). No decorrer do exame, a câmera percorre o trato digestivo, movida pelo peristaltismo, e transmite cerca de duas fotos por segundo para um gravador fixado na cintura do paciente.

Um computador processa as imagens capturadas, o que permite que o médico as analise como se fosse um filme de aproximadamente uma hora. O procedimento dura cerca de oito horas, período que corresponde ao tempo de vida da bateria existente dentro da cápsula. O indivíduo não sente dor e pode realizar suas atividades cotidianas, sem necessidade de ficar em ambiente hospitalar.

O recurso tem se mostrado eficiente para avaliar especialmente o intestino delgado, segmento do trato digestivo de difícil análise pelos métodos de imagem até então existentes. Está indicado nos casos suspeitos de sangramento do intestino delgado, na investigação de quadros diarréicos e de dores abdominais, na pesquisa de neoplasias do intestino delgado, na doença de Crohn, em lesões por antiinflamatórios, na doença celíaca e nas enterites actínicas e infecciosas.

Por que  é uma revolução?

O intestino delgado sempre foi uma área do tubo digestivo de difícil acesso. Medindo entre seis e oito metros de comprimento, mesmo com o advento dos novos métodos de imagem, essa região não pode ser investigada completamente, e de maneira adequada. A endoscopia digestiva tomou um grande impulso na década de 1980, com o surgimento da vídeo-endoscopia que cobria de maneira satisfatória o trato digestivo superior: esôfago, estômago e duodeno, além da colangiopancreatografia endoscópica que explora as vias biliares e pâncreas. A colonoscopia, da mesma forma, abrange todo o cólon e na maioria dos casos o íleo terminal. Os métodos endoscópicos (enteroscopias) utilizados para a investigação do intestino delgado esbarraram na dificuldade técnica apresentada pelo grande comprimento do delgado, além da configuração anatômica peculiar, o que significou fatores limitantes para a realização desses métodos. Na década de 1990, baseados na tecnologia militar de mísseis teleguiados, cientistas israelenses começaram a desenvolver um dispositivo miniaturizado (cápsula) que era capaz de gerar imagens por meio de uma microcâmera e que por telemetria eram captadas a distância. Vários estudos foram desenvolvidos até que, no final de 1998, o sonho se transformou em realidade quando uma equipe internacional encabeçada por Paul Swain realizou os primeiros exames com o protótipo da cápsula em animais. No ano 2000, no Congresso Médico denominado Semana das Doenças Digestivas (Digestive Disease Week - DDW), realizado em San Diego, nos Estados Unidos da América (EUA), foram apresentados oficialmente os resultados desses estudos. A partir de então, a cápsula foi comercializada, inúmeros trabalhos clínicos foram realizados com sucesso no mundo, sendo sua utilização coroada de êxito com a aprovação, em 2001, do FDA (EUA), e certificada no Mercado Europeu para uso clínico na investigação do intestino delgado.

Contra-indicações:
Absoluta: obstrução intestinal.
Relativas: fístulas, gravidez e uso de implantes eletrônicos.